domingo, 4 de julho de 2010

O patriotismo brasileiro e a copa do mundo

Nesta época todo o comércio se enche de “orgulho” (dinheiro) por vender fantasias de patriotas para a população brasileira. Camisas, bandeiras, blusas, calças, sapatos, chinelos, cornetas, apitos, tudo verde e amarelo. As ruas se decoram, se pintam muros e meio-fios, se pintam as caras dos animados torcedores da seleção. A bandeira nunca nos dá mais orgulho de estar desfraldada do que neste período mágico. A copa do mundo de futebol... Aí está a origem de todo este sentimento. Da histeria coletiva em cada grito de gol da seleção. É neste período que todos dizem ser brasileiros, com ares nos pulmões reservados para o grito de campeão. O país, então, pára para (Ainda acho estranho a nova ortografia e escrevo como antes) cada jogo da seleção canarinho, nada funciona, nada...

Afinal, o patriotismo brasileiro é só durante a copa? Parece que sim. Quando acaba a copa (ganhando ou perdendo), acaba tudo... Recolhem-se as bandeiras, guardam-se a bugigangas e outras coisas que trazem as cores do nosso país e voltamos para a nossa vida cotidiana como se nada tivesse acontecido. Como disse antes havia uma fantasia de patriota a ser vendida e ela está à disposição de qualquer um nesta época. Não vejo ninguém se interessar pela bandeira nacional em outras épocas e muito menos gostar de cantar o Hino Nacional com tanto fervor. Precisamos de leis para tornar obrigação o que podíamos fazer por amor à pátria (Lei 12.031/09). Aí que se perde o ufanismo inicialmente descrito... Não haverá outro interesse pela pátria Brasil até a próxima copa. Vez por outra, um pingo deste sentimento vem à tona com a seleção de vôlei, entretanto, não é a mesma coisa... Não se vê a mesma emoção demonstrada da mesma forma que pela seleção de futebol.

A saber, é nesta época que acontecem as votações mais importantes do Congresso Nacional e de outros representantes legislativos pelo país. Longe dos holofotes da imprensa (Não que haja um comprometimento da mídia no interesse público) e da cobrança da população desligada de tudo, eles fazem o que bem entendem, inclusive um aumento das despesas pessoais, digo salários e outros benefícios, a que, estranhamente, fazem jus.

Não há como afirmar o patriotismo brasileiro de forma pura, sequer podemos afirmar que o patriotismo demonstrado acima é real. Não temos uma tradição de respeito à pátria. Ainda vivemos o revisionismo no qual toda a história está sendo recontada com os detalhes que apagaram e atrocidades que estão, até hoje, tentando jogar para debaixo do tapete. Nesta recontação vivemos momentos em que heróis são desconstruídos e outros aparecem para ocupar o seu devido lugar. Porém, os heróis da pátria, na boca do povo, têm nome, ou melhor, alcunhas: Pelé, Garrincha, Tostão, Didi, Zico, etc... Por aí vai a galerinha das copas passadas sendo lembrada no panteão dos deuses do futebol brasileiro.

Bom, mesmo com esta divagação um tanto depreciativa, digo que sou brasileiro e me ufano de minha pátria. Adoro meu país e gostaria de fazer alguma coisa a mais para mudá-lo e faço o que posso. Sou professor e trabalho as mentes de um país sofrido por causa da corrupção e pela falta da ética política, buscando transformá-las em pessoas críticas (ou, o mínimo, menos alienadas) e preparadas para as mudanças que enfrentaremos no futuro. Sinto que alguma coisa vai acontecer ou está acontecendo. As coisas vão tomar um novo rumo e, quem sabe, nosso povo vai olhar para esta terra com orgulho, bater no peito e dizer, com a mesma vontade que existe no período da copa, em qualquer época de sua vida: EU SOU BRASILEIRO!!!!!

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