terça-feira, 19 de maio de 2009

CINEMA 2009 - II

Velozes e Furiosos 4 – Não acompanhei todos os longas da série, mas pelo que me disseram os dois anteriores a este foram parecidos: muito racha, pancadaria, carros, mulheres, ação, ação e ação. Sem esquecer do submundo violento das minorias envolvidas. Assisti ao primeiro e gostei. Teve ação, racha, romance, motores nervosos e muita preparação. Talvez porque eu goste de motores. Lembrou-me, em umas das corridas quentes, o clássico Juventude Transviada com James Dean (uma intertextualidade visível), porém com um toque da modernidade em carros tunados e etc. Como sempre, a continuação não pega o brilhantismo dos primeiros filmes. Neste marca o retorno de Vin Diesel à série, parece que é para finalizar. Força bruta, carros e criminalidade... sem esquecer que a minoria envolvida agora são os chicos mexicanos. Domenic Toretto (Vin Diesel) movido pelo desejo de vingança, após o assassinato do amor de sua vida, decide retornar e enfrentar os federais, inclusive seu desafeto do primeiro filme, o investigador Brian (que fica sobre o muro sem saber se fica do lado da lei ou de Toretto – Explico: ele ama a irmã de Toretto) e a gangue mexicana do tráfico em busca do assassino da mulher. Depois de muita gasolina queimada a vingança é consumada e Toretto é preso e condenado. Final: O mesmo é resgatado por Brian, a irmã de Toretto e dois comparsas no caminho do presídio. Nota: 03.

Star Trek – Mais um filme de uma série clássica da década de 60. Muito bom. Conta-nos, neste episódio, como foi a destruição do planeta Vulcano do doutor Spock e a ascensão do jovem Kirk ao posto de capitão da nave Enterprise. O filme começa com um uma tragédia: a morte do pai de Kirk. Este acabara de nascer numa nave de fuga após a destruição da nave mãe por um cruzador Romulano. O jovem Kirk, então, cresce na terra como um rebelde até ser recrutado para o treinamento (a princípio contra a vontade). Vale lembrar que ele é uma cópia do jovem vivido por James Dean no mesmo filme mencionado no resumo acima. Com uma passagem brilhante pelo treinamento, se mostrou mais disciplinado do que parecia. Mulherengo e impulsivo, não foi escalado para a missão de ajuda a Vulcano, porém foi sem permissão e agiu como um verdadeiro líder. Na ausência do capitão da Enterprise, sequestrado pelos romulanos, ele comandou a missão de resgate do mesmo e a salvação da terra da destruição total. Afinal, os romulanos estavam atrás de uma vingança contra toda a federação. No início doutor Spock e Kirk se estranharam, desta forma estavam sempre em conflito de autoridade. Porém, no desenrolar do filme, os dois se tornam amigos, o que perduraria durante toda a série Jornada nas Estrelas. O jovem doutor Spock é vivido por Zachary Quinto (O Sylar da série Heroes) e o velho por Leonard Nimoy, o mesmo que interpretou o papel de Spock nas séries anteriores. Nota: 10

domingo, 10 de maio de 2009

HEAVEN&HELL




O show estava marcado para as 20 horas. Saí com um amigo meu ( Jorge) quase às 19 h. O escapamento do meu carro quebrou e a caranga foi fazendo um barulhão daqui até lá. Não tinha como disfarçar, todo mundo ficava olhando aquela coisa arrastando-se pelo chão e, provavelmente, soltando faíscas. Não me intimidei, nem quando a polícia passava desconfiada. Só pensava em chegar no Chevrolet Hall e ver Heaven&Hell. Achamos que chegaríamos atrasados, o trânsito em frente o Mineirão estava ruim, porém, chegamos com uma diferença de 8 minutos para as 20 h. Arrumei um local legal no alto e esperamos aproximadamente meia hora (ou 40 minutos) para o início.

Então, aqui vai o comentário.

Absolutamente, um show incrível. Fomos agraciados com o que há de melhor do som pesado tradicional. Dio e os outros foram fantásticos. Não poupou fôlego para cantar os sucessos do Black Sabbath enquanto lá esteve. Sua voz com muito vigor mostrou porque ainda pode levar a banda Heaven&Hell longe, apesar da idade. Toni Iommi, insuperável, guarda em seu perfil e estilo a essência do Black Sabbath, continua o mesmo. Sóbrio, realizava seu show como se fosse nos tempos áureos do Heavy Metal. Os aplausos e o carinho dos fãs foram bem agradecidos e, para falar a verdade, Dio parecia bem à vontade com o público porque já esteve aqui outra feita. O repertório contou com: The Mob Rules, Children of the Sea, Die Young, Time Machine, Heaven&Hell, Falling Off The Edge Of The World, I, Bilble Black (Nova), Fear (Nova), Follow the Tears (Nova), e Country Girl.

O espaço era pequeno (Dio mesmo comentou no palco) e muita gente ficou sem ingresso. A pista ficou tomada e a arquibancada parecia vazia, uma impressão causada pela euforia dos fãs que não ficavam sentados, mas em uma agitação comum diante de tão grandiosa banda. É um clássico do rock, então, por que não? Porém, há uma coisa para se reclamar: o público parecia bem comportado diante do som. A agitação em frente ao palco parecia tímida... Talvez estivessem extasiados, em transe contínuo e inabalável ao som da voz de Dio ou da guitarra de Toni. Acho que poderia ser mais... O público ficou devendo! Fico com medo disto, pois dá a impressão de que não recebemos bandas grandes por causa da apatia do público. Prefiro nem pensar nisto, prefiro dizer que não tínhamos espaço para receber estas bandas ou que é preconceito... sei lá!

Bom, para encerrar, espero que BH fique novamente no caminho de grandes bandas e que tenhamos grandes eventos nos próximos anos.

HEAVEN AND HELL

Hoje é dia de Heaven&Hell aqui em BH!!!!!!

Estarei lá para testemunhar a presença dos integrantes do lendário Black Sabbath com este novo nome. Tony Iommi, Geezer Butler, Ronnie James Dio e Vinny Appice estão aqui em uma turnê de divulgação de seu último álbum: The Devil You Know. O show será no Chevrolet Hall. Depois vai o comentário para quem não foi. Eu não perderia este clássico de modo algum!

Até mais para quem fica!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um conto do meu livro

A MAQUIAGEM

Naquele dia ela se preparava com mais atenção. Atenção redobrada. Sentia que algo iria acontecer em sua vida, um acontecimento que mudaria tudo. Não sabia dizer em palavras o que era, mas era mais forte do tudo que sentira antes. Como sentia, se olhava no espelho com ternura e alegria.

“Maria Ângela”... pronunciava seu nome diante do espelho. “Hoje será seu dia”. Sábado à noite, festa para ir e possibilidades de um relacionamento para alguém solitário, neste caso, solitária. Sempre foi infeliz em todos os relacionamentos. Seus namorados sempre foram canalhas e estava um pouco depressiva e desiludida. Não saía mais e preferia ficar em seu apartamento após o trabalho assistindo televisão e lendo livros românticos.

Sua imaginação a levava a outros mundos de fantasias incomuns. Sempre sonhava e ria-se diante de sua inocência. Inocência que a fazia sofrer. Já passara dos trinta e nada... Sempre infeliz...

Tentou a internet. Perdeu sua poupança para um vigarista explorador de mulheres solitárias. Tentou com um amigo do serviço, era casado e tinha outras três amantes. Tentou em família, um primo distante, porém era alcoólatra e violento. A lista não era muito grande, entretanto a seqüência de decepções era grande e cada vez maior. Por fim, perdia as esperanças...

Maquiagem para disfarçar suas mágoas. Uma base para esconder sua face triste, um blush para denotar a sensualidade, um batom para atiçar as fantasias, o rímel, etc... não esquecera de nada. Por fim, o perfume certo. O toque mágico para deleitar os homens com sua beleza...

“Maria Ângela, hoje você vai arrasar!” olhando seu reflexo profundamente no espelho dizia. Na verdade queria gritar, mas se conteve. Estava linda. O espelho não mentiria, não é? Continuou com seus cabelos ruivos. Penteou-os de lado, depois para trás. Fazia poses e verificava qual seria mais agradável e sensual. Sempre gostara de seus cabelos, e detestava seu nariz. Achava-o muito fino. Sua mãe dizia que o nariz era do pai e os cabelos da avó. Como gostava muito da avó, achava que era um presente dela.

Estava ansiosa, mal conseguia esperar a hora para sair. Sua ansiedade era tão singular: manuseava o controle remoto em sinal de descaso com a tela desligada de seu aparelho de televisão. Sua imagem se refletia na tela escura e se sentia maravilhosa. Estava viva e cheia de sensações interessantes. Queria desfrutar daquelas sensações uma a uma sem perdê-las na confusão de seus pensamentos. Queria sentir-se viva novamente.

Pegou a bolsa e vasculhou-a novamente. Era a quarta vez que fazia isto em dez minutos. Conferiu item por item. Não esquecera nada até agora. Pegou sua carteira e se olhou no pequeno espelho que lá existia. Verificou o batom, apertou os lábios... olhou fixamente para os olhos, o penteado, tudo... Estava tudo no lugar. Continuava maravilhosa.

Após duas horas de incansáveis conferências sua ansiedade foi mitigada pelo telefone que soou. Sua amiga Joana ligava dizendo que estaria na porta do prédio em quinze minutos. Balançou a cabeça excitada e pronunciou um vocábulo afirmativo. Algo quase ininteligível, mas compreensível em tal situação de emoção.

O tempo não passa quando estamos ansiosos. A vida parece parar quando esperamos algo com insistência. O mundo se move de modo vagaroso e as nuvens no céu parecem nem se incomodar com o balançar calmo das árvores diante do vento vigoroso que as sopra. Você parece a única coisa que se move depressa dentro da ânsia. Nada mais acompanha seu ritmo e sua vontade é parar e agarrar o mundo pelo pescoço e dizer “Anda rápido que eu quero chegar lá!” E, de nada adianta, ele nem se incomoda. Só você, está só...

Joana parou seu carro e ligou mais uma vez para o celular. Parecia uma eternidade para Maria Ângela e finalmente o momento chegou. Iria para a tão badalada festa... Saiu pela portaria e recebeu um caloroso boa noite do porteiro. Devolveu-o no mesmo tom e entrou no carro de Joana. Seguiram.

A festa estava movimentada. Muitas pessoas conhecidas e desconhecidas dividiam o mesmo espaço. Muitos murmúrios se misturavam ao som mecânico que tocava no salão. Os sons se completavam num capricho espontâneo de uma festa, como outra qualquer. Maria Ângela olhava inquieta para todos os lados, reconhecendo um aqui, outra ali. Eram amigos e amigas do trabalho e convidados. Era nos convidados que parava o olhar vacilante.

Platonismo inicial, uma observação demorada e encontrava um olhar cruzado. Pensou, observou novamente. Estava despertando interesse. Sentiu-se desejada.

Pediu uma bebida leve ao garçom. Um martini com cereja. Serviu-se daquela bebida doce e disfarçava sua curiosidade. Como era um convidado, perguntou discretamente para Joana se o conhecia. Joana balançou a cabeça negativamente. A curiosidade aumentava junto com sua timidez. Pensou em ir ao banheiro.

No banheiro, um retoque no batom e mais uma olhadinha no espelho. Fez cara de mulher fatal e saiu decidida a avançar um pouco mais. Ele não estava mais lá. Havia evaporado. Percorreu os olhos em torno da festa e no meio das pessoas não conseguiu identificá-lo. Olhou para sua mesa e Joana também não estava. Somente sua taça de martini esperava para mais um gole.

Pensou muitas coisas naquele momento. Pegou a bolsa e vasculhou até achar um pequeno espelho que servia de acessório da própria. Olhou-se e tentou identificar alguma coisa. Pensava que não tinha agradado pela sua aparência. O que ele não havia visto nela? Ou, o que ele viu que não gostou? Seu nariz, ela tinha certeza de que seu nariz não o agradara. “Maldito nariz!”, pensava ela decepcionada. A festa havia acabado naquela noite numa grande decepção. “Onde estaria Joana agora? Com ele, talvez. Ela é muito mais bonita...”

Maria Ângela, um anjo incompreendido ou que não se compreendia. Olhava-se nos espelhos do salão de modo terno, leve e embriagada pelas doses de martini, vodca e uísque que tomara. Jurava que se seu nariz não fosse daquele jeito não estaria só. Nem com a maquiagem conseguiu desfazer aquela imperfeição da natureza. “Maldita herança!” Palavras sem sentido... quadro grotesco... Desceu as escadas, tropeçando no vazio e pisando de leve no ar. Caiu... batendo o rosto na vidraça da janela ao lado da escada...

No hospital, a reconstituição de seu nariz não foi perfeita, pois parte dele se perdeu... Maria Ângela chorou, não de tristeza, mas de alegria por ter se livrado daquela imperfeição, embora agora fosse... um... pouco...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CINEMA 2009

Fui ao cinema assistir a alguns filmes nos últimos meses. Watchmen, Dragonball, Presságio e uma amostra de filmes romenos (estes no Palácio das Artes). Há dias que quero fazer estas resenhas, mas me faltava tempo para escrever. Agora vai!

Watchmen – Tive contato pela internet com a obra original em quadrinhos de Alan Moore e gostei dos perfis nada convencionais dos heróis. Depois de uma badalada estréia internacional, esta produção aportou nos cinemas brasileiros e, como a crítica tinha sido boa, resolvi ver este filme. Realmente não ficou a dever e a adaptação ficou muito boa para o cinema. Gostei, especialmente, de duas personagens: Dr. Manhattan e Rorschach. O primeiro, um cientista, uma entidade azul com poderes inigualáveis, ausente de sentimentos, vê o ser humano, o mundo, tudo como um amontoado de matéria e energia. O segundo é um pessimista irreparável, não confia em ninguém e acredita que o ser humano é ruim por natureza. Detalhe: Dr. Manhattan era humano, sofreu um acidente no laboratório de campos intrínsecos e se transformou naquela coisa azul. Os outros se dividem em vaidade, humor negro e idealistas. Não vou entrar em detalhes, afinal só os dois citados me trouxeram uma sensação filosófica profunda em relação a tudo e a todos. Em relação ao Dr. Manhattan (O que mais me impressionou!), fiquei pensando, se um deus estivesse entre nós, qual seria seu comportamento? Acho que seria idêntico ao comportamento deste... Nota 10!

Dragonball - Evolution – Boa tentativa, mas pecou. Mais uma adaptação que não foi genial. O perfil de Goku ficou bom. Bem atrapalhado, lembrava muito o desenho. O enredo ficou fraco. E o vilão Pícolo, temido por ser muito poderoso, não suportou um golpezinho fajuto no fim do filme e desapareceu. Durante o filme este fica fazendo demonstrações de poder e morre fácil no fim? Não foi legal, não foi nada legal, afinal os fãs esperavam muito mais, porque a obra original dava margem a muita coisa... Fazer o quê? Nota 01!

Presságio – Nicholas Cage, bom ator. O filme: fraco. Parecia ser um filme interessante, entretanto faltou alguma coisa que não consigo explicar. Era para ser um suspense e se torna um filme catastrófico. Parecia ser um daqueles filmes que fazem pensar sobre problemas filosóficos cruciais e se torna banal no fim. As imagens são boas. Há duas cenas impressionantes: O acidente do avião e o metrô saindo dos trilhos – Perfeito! Deu uma sensação de realidade incrível. Até este momento estava gostando do filme. A existência dos códigos parecia deixar o filme inteligente, a presença do astrofísico (astrônomo, sei lá qual era a profissão dele!) deixava o filme mais “inteligente”. Ele, viúvo, cuidando de um filho só, professor, amargurado e descrente em tudo e na existência. Filho de um pastor com o qual não conversava há muito tempo, parecia ser ateu e se depara com uma sequência numérica fabulosa. Traduz e vê coincidências: Desastres e mortes. Os momentos de suspense não param por aí, há pessoas misteriosas que rondam a casa e o filho deste. Tudo leva a crer que não são humanos. Depois de muito tumulto o filme entra na banalidade. Um evento catastrófico para a humanidade (O apocalipse) se aproxima e, ao que tudo indica, todos iriam morrer. Então, uma coisa acontece, as crianças seriam salvas pelos seres misteriosos. Eles, depois de uma transformação fabulosa pareciam humanóides luminosos... eram anjos... em naves intergalácticas... recolheram as crianças e se foram. Estes (as crianças) se diziam eleitos... Clara evidência de um filme cristão. Sempre que a humanidade está por um fio, algo acontece para salvar o dia. As crianças foram levadas pelo espaço a um lugar maravilhoso (O Éden, com direito à árvore do conhecimento e tudo) e escaparam da fatalidade. Os que ficaram foram calcinados por uma onda gigante de calor que acabou com tudo. Foi o primeiro filme que a humanidade (os americanos, para ser mais exato) não consegue um milagre para evitar a catástrofe. Fim emocionante: o cientista volta para a casa dos pais, depois de entregar o filho aos “anjos”, abraça o pai, a mãe e a irmã e tudo se desfaz em poeira. FIM. Fica a indagação: Por que num filme como este tinha que aparecer extraterrestres para interferir no curso das coisas, ainda mais anjos? Matou o filme! Nota 03!

Filmes romenos – Os três filmes romenos que vi tratavam de assunto semelhante: Ceaucescu, o ditador. No primeiro (A leste de Bucareste), uma comédia que analisava a existência de uma revolução popular que derrubou o ditador. Personagens comuns se colocavam como protagonistas da revolução num programa de televisão e eram desmentidos durante todo o programa. O debate era quente e muito engraçado. No segundo (4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias), vi a angústia de uma moça universitária grávida que tentava fazer um aborto ilegal. Ela e uma amiga se aventuraram a fazer e correr todos os riscos em busca de alguém que o fizesse às escondidas, pois do contrário a grávida seria expulsa do campus. E se fossem pegas, seriam presas, ou seja, se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. É suspense o tempo todo. No terceiro (Como Eu Festejei o Fim do Mundo), mostra os momentos finais da ditadura, as perseguições, prisões e as escolas do governo comunista que seguiam o mesmo modelo ditatorial. Em resumo, bons filmes. Tão bons que baixei todos pela internet para vê-los novamente. Nota 10!