quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Filmes

Filmes que assisti neste Carnaval



Rei Arthur - Muito bom, uma história sem fantasias ou qualquer coisa do gênero. Nada de um feiticeiro poderoso. Merlim, o mago, aqui é apenas um conselheiro, não de Arthur, mas dos autóctones da ilha britânica.

A bússola de ouro - Faltou alguma coisa, quando achei que ia começar a ação, acabou o filme. Ficou claro que vão fazer a continuação. Isto é, se houve bilheteria para ele...

Beowulf - Animação muito boa. Julguei errado quando comecei a vê-lo e adorei o desenrolar do enredo e a qualidade da animação.

Arn, o Cavaleiro Templário - Filme sueco (É claro que assisti com áudio original!) que fala da saga de um herói durante o conturbado período de guerras pela união dos estados escandinavos e seu exílio na Terra Santa. Todo o sofrimento foi por causa do amor, só pra variar...

Anjos da Noite - A rebelião - Os Lycans e Vampiros estão de volta. Continuando a série, voltamos ao passado para saber como começou a guerra entre Lycans, com Lucian na liderança, e vampiros, com Viktor. Mais uma vez o amor está no meio da sangrenta batalha.

Hans Staden - Ótima produção brasileira. Conta a história de Hans Staden, um aventureiro alemão que quase teve sua carne comida pela tribo dos tupinambás aqui no Brasil. Mantendo a fidelidade e a originalidade, o filme é todo em TUPI. Maravilhoso ver a nossa língua original ao vivo, com toda sua beleza expressiva na boca daqueles atores. O filme ainda comporta o Português, o Alemão e o Francês... Mas, o Tupi reina... É bom assim, nada de comunição universal em uma só língua... Nada de índios falando o Português ou Alemão com fluência... Isto é originalidade!

Lolita - Muito bom filme. É um remake do filme homônimo divulgado em 1967. Este, que eu vi, foi apresentado em 2007. Na verdade, tenho os dois... O filme é baseado na obra de Vladimir Nabokov com mesmo nome.

O jovem guerreiro - Um pouco de revolução francesa em sua língua...

Snatch, porcos e diamantes - Brad Pitt, Benicio del Toro, Jason Statham e outros num filme genial, enredo atraente que faz a gente assistir sem perder nenhum detalhe... com muito humor. Lembra-me muito o filme Pulp Fiction de Tarantino.


O carnaval não foi de todo ruim... Deu para curtir alguns bons filmes!

Acabou o Carnaval

Hoje é quarta-feira.
O ponto final que faltava neste Carnaval e em todos os outros que existem e existirão. A vida real está de volta. Então, vamos pisar neste solo duro de novo e continuar a rotina anual.

Não gosto muito de Carnaval... Sou chato, eu sei, não precisa me dizer. Não consigo compartilhar da alegria de muitos em ficar pulando, dançando e chacoalhando ao som de um caminhão parado (ou em movimento) na rua. Como disse o sábio Raul Seixas: "Acho tudo isto um saco". Às vezes, prefiro ficar em isolamento, em casa, quieto, quase escondido de tudo e de todos.

Neste ano (2009) tive uma proposta diferente: passar o Carnaval longe da capital (BH). Numa cidadezinha, bem mineira, não muito longe daqui, cerca de 108 km. Havíamos planejado tudo com antecedência e não havia nada que pudesse dar errado. Ledo engano, quando você acha que está tudo certo, aí que pode dar alguma coisa errada. E deu!!!! Deu um problema no transporte e não pudemos compartilhar de nossos amigos o Carnaval de uma cidade interiorana de, aproximadamente, 4.000 habitantes. Que maravilha! Que maravilha seria!!!

Poderiam estar pensando ou se perguntando: Por que não foram de ônibus? Bom, para explicar isto devemos analisar a história da humanidade. Dizem que a era do automóvel iniciou-se no século XX, com Ford fazendo seu carro popular em larga escala. Digo que isto pode estar um pouco errado, do ponto de vista do Brasil. Carro acessível a todos!!! É isto que chamo de a Era do Automóvel, quando qualquer um pode ter uma caranga para ir aonde bem entender. Ainda não podemos, todos, adquirir carangas novas, por isso padecemos o suplício de ter que levá-lo ao mecânico sempre que possível ("grana")... enquanto isto não acontece, nossa máquina vai acumulando problemas e um dia.... Boooommm!!! Lá vai o carro ficar parado e você no desespero, principalmente quando a viagem está marcada e tudo preparado.

Então, quando todos têm um quatro rodas, por que ir de ônibus? Também tentamos outras opções, entretanto, infrutíferas, pois todos que conhecíamos já estavam de viagem marcada ou já tinham partido...

Ficamos todos aqui... Eu fiquei aqui imaginando como seria aquela cidade. Pacata cidade do interior... cidade mineirinha...

Mas, nem tudo estava perdido... Como não fomos, o dinheiro que separamos para usar lá, dispensamos na cerveja desses quatro dias... quatro caixas... Êta coisa boa!!!! Agora tenho certeza de que o ano vai ser muito bom!!!!!!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mais um conto do meu livro

A VIDA ÀS AVESSAS

“Quem sou eu?” A voz trêmula sussurrava na minha cabeça. Meu rosto molhado e aquela imagem desconhecida no espelho enquanto lavava. As gotas que dele escorriam eram mais familiares do que aquela fisionomia estranha. Tentei um sorriso, uma forma de tentar reconhecê-lo, mas a cabeça doía. Talvez mais tarde... Mas, a pergunta era: Quem é ele?

Imagem fixa na memória. Perturbadora!

Fiquei alguns longos minutos contemplando aquela estranheza e tentando inutilmente recordar. Eu?! Eu sou eu, uma vida definida... E ele, que será que ele tinha, alguma coisa me dizia algo familiar, mas o que seria? “Merda! Como lembrar é tão difícil quando a cabeça está dolorida!” A minha vida sim é que tem sentido neste mundo. Sempre fui uma pessoa resolvida, nunca perdi uma oportunidade boa que pudesse me oferecer o sucesso em meus empreendimentos. Tenho uma família, mulher, filhos e tudo que um homem bem sucedido pode sonhar. Mas, aquele mendigo me enoja... Ficar olhando aquela pessoa me deixou cansado e mais doente do que parecia. Deitar e relaxar poderá fazê-lo ir embora e deixar-me em paz.

“Onde estou?” De repente aquele ambiente se tornou estranho, ambos, eu e o mendigo, estávamos no mesmo espaço, compartilhando de tudo. Todos que ali estavam agiam como se eu estivesse doente, quanto ao outro, ninguém lhe dava atenção. Às vezes parecia que nem o viam ali, jogado, indigente, suplicante por vida ou qualquer coisa do tipo. Não que me importasse, para mim a vida que se tem é a vida que você constrói através de suas íntimas decisões. Aquele sujeito sem identidade era uma dessas pessoas que definem para si uma vida resignada, sem objetivos, portanto, um fracassado. Minha fortaleza era a minha força de conduzir minha carruagem do mundo. Sentia-me o dono do mundo, isto eu me recordava bem. “Onde estou?” Por que esta pergunta do mendigo me perturbava? Eu sabia onde estava, ele, não.

Por que há médicos e enfermeiras a minha volta? Não estou doente! Minha saúde é de ferro. Que história é esta de acidente? Por que enfaixaram a minha cabeça? Ela ainda dói muito... Estas perguntas são minhas e aquele mendigo ri... repete as minhas perguntas e me caçoa. Eu poderia me levantar e enchê-lo de sopapos, mas estou sem ânimo agora. Continua lá, rindo de tudo e de todos. Maldito indigente, seus trajes mais finos são estas roupas de hospital. Hospital?! Isto aqui é um hospital? O que estou fazendo aqui? Pelo jeito é um hospital público, se não fosse, não estaria do lado de um imundo como este. Tenho dinheiro suficiente para estar em um outro hospital, um particular, longe deste animal... Tenho que dar um telefonema. Preciso falar com minha mulher, meus filhos, meu assistente, onde estão eles? Tenho saudades, não consigo me lembrar dos seus rostos, só a deste mendigo. Que maldição é esta? Largado numa cama de hospital ao lado de um ser como este, de quem foi esta imprudência? Quero sair daqui logo!

Eu quero sair!!!!

Por que, de vez em quando, tudo fica escuro em nossa vida? É como se apagássemos a luz e fôssemos dormir depois de um dia muito cansativo. Foi isto que aconteceu, tudo se apagou de repente e não consigo me lembrar de nada. O mendigo... ele ainda estava ali. Pensei que tinha morrido. Maldito! Podia ter morrido mesmo, acho que odeio este homem, se é que podemos chamar este animal de homem. Por que ele ri de mim? Por que este sorriso sem sentido? Contaram alguma piada para ele e eu estava dormindo? Por que ele não diz nada para mim? Talvez pudéssemos estabelecer algum diálogo e eu o diria o quanto me enoja. Pediria que calasse a boca e se mandasse de perto de mim. Mas, quando tento chamá-lo, ele repete tudo que falo e isto me irrita. Se eu me levantar desta cama, vou... vou... vou matá-lo com minhas próprias mãos. Não consigo levantar minhas mãos, estão pesadas como chumbo. Meu corpo está imóvel. Alguém me amarrou?

O médico passou aqui esta manhã. Não entendo o que ele diz... ele me olha com piedade. Lê o meu prontuário, franze a testa, coça a cabeça e resmunga alguma coisa incompreensível com a enfermeira que o acompanha. Depois larga a prancheta e vai ao encontro de outro paciente. Nem olha para o mendigo ao meu lado, que permanece o tempo todo calado desta vez. Senti uma leve ponta de desolação por ele, pois aquele ser parecia invisível. Não que fosse digno de piedade, mas... O abandono deve ser a pior coisa que existe neste mundo. Saber que ninguém mais se importa com você é o fim. Talvez esteja aí a explicação para o suicídio. Tentei chamar o médico, conversar com ele sobre mim, entretanto, não me ouviu. Seguiu seu caminho. Estaria eu num hospital estrangeiro? Por isso não compreendiam meu idioma? Será? Talvez ninguém saiba onde estou! Talvez eu tenha sofrido um acidente e esteja perdido em algum lugar e...

Não consigo definir o tempo aqui. Parece que o dia nunca acaba. O mendigo ao meu lado é o único que ainda sorri para mim. Está ficando mais familiar vê-lo com esta freqüência. Ainda continua abandonado e parece querer que eu me torne seu amigo. Mas, a mania de repetir tudo que digo é insuportável. Será que ele é retardado? Isto! Deve ser um demente largado ou perdido da família. Ele fala a minha língua, mesmo que só repetindo o que digo. Talvez falasse a língua do médico também! Vou tentar uma aproximação...

Tentei! Tentei e tentei... Ele só repetia, repetia e repetia. Que idiota! Não é à toa que foi esquecido, ele é irritante... Vai morrer ali, jogado naquela cama. Eu preciso sair daqui, tenho que ir embora. Estou farto deste lugar, daquele maluco e do médico estrangeiro e sua companheira. Meu telefonema. O celular! Isto! Vou ligar para minha mulher. Não me lembro do número. Meus filhos!... Eles têm celulares? Não me lembro. Meu assistente no escritório, ele tem meu número, por que não me liga? Preciso falar onde estou. Mas, onde estou? Que hospital é este? O médico não compreende o que digo, eu não entendo nada do que dizem. Como farei para sair daqui. Já sei, vou fugir. Tenho que preparar um plano. Tenho...

Tive a impressão de que havia alguém do meu lado. Ele (ou ela) se foi esta noite, na verdade não sei dizer quando foi, só sei que foi... De repente desejei que fosse o mendigo. A primeira coisa que vi foi ele me olhando. Que tédio!

O tempo passa estranho naquele lugar. Não consigo perceber o sol, tampouco a escuridão noturna. Sequer posso ver as estrelas ou a lua. A sensação de imobilidade é muito grande, não consigo definir com clareza. Imagine que você esteja completamente enrolado em cobertores e amarrados firmemente. Junte a isto um cansaço que o impossibilita qualquer movimento. É isto! Isto que estou sentindo! O mendigo só ri. Hoje está rindo com um certo sarcasmo. Que há com ele? O médico está vindo... a enfermeira ao seu lado, como sempre. Está pegando a prancheta com meu prontuário. Mais uma vez ignora o paciente do lado. Ele não existe, é invisível.
Largou o prontuário e adicionou uma etiqueta. Sua imagem se reflete no espelho. Parece estar escrito em português, embora falem outro idioma. Será que consigo ler:

OTIO ROP AMOC ME ETNEICAP
LAICIDUJ OÃÇAZIROTUA. ETNEGIDNI. SONA
.SOHLERAPA SOD OTNEMAGILSED O ARAP

Ainda não consigo...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dicas para escrever bem - Aprendendo redação. Muito engraçado!!!

Dicas para escrever bem - Aprendendo redação

28/07/2007 - 00:53 · Especial do Cretino

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??… então valeu!

9. Palavras de baixo calão, carac@, podem transformar o seu texto numa m&rd@.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.

13. Frases incompletas podem cansar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação ?

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei! ”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões uai, que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!… nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Fonte: http://www.perguntascretinas.com.br/dicas-para-escrever-bem-aprendendo-redacao/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Conto do meu livro

O ESPELHO DO BANHEIRO


(Yratã G. Mendes)

Lá estava ele, o espelho. Não dizia nada, somente apontava a cara cansada que o observava todo os dias no mesmo horário: 6 horas da manhã. O sono não fora compensador e Cronos não teve seu relógio quebrado. Os deuses gregos são meticulosos e emotivos em suas ações, Apolo elevou-se e o Sol apareceu no horizonte.

A imagem daquele rosto distorcido pelas sombras e a sonolência parecia mais nítida. “Será que sou eu?” perguntava-se mais uma vez ao ver que a vida estava passando bem diante de seus olhos e nada podia fazer. “Será que este rosto ainda vai...” reteve-se ao perceber que sua face e seu corpo ainda murchariam como aquela rosa que esquecera na mesa sem cuidados há mais de seis meses. Que desalento! Isto não é nada animador, principalmente quando o espelho parece dizer isto tão silenciosamente.

Ainda estava lá, testemunha ocular de uma vida sem sentido. Via o entra e sai de pessoas de sua vida e as múltiplas caras que se olhavam naquele espelho e não se percebiam além de uma imagem, mas o seu dono não era igual. Ele era diferente... ele se via... ele se esforçava em não se preocupar com tudo que via, porém era mais forte do que ele.

O espelho guardava para si todas as sensações de impotência, envelhecimento, medo, amor, ódio, mágoa, desilusão (fato que desconhecia, pois compreendia a sua realidade), morte, vida, tudo. A frieza com que absorvia os sentimentos era comum à classe especular. O homem nunca poderia caracterizar um ser que absorve sem compreender sentimentos para não sentir, entretanto lá continuava ele, o espelho.

O homem deixou seu rosto de lado e desapareceu por um instante. Ergueu-se com ele molhado e sentiu-se renovado. Como se a esperança estivesse voltando em cada gotícula de água que escorria daquele rosto cansado. Tentava não pensar, tentava não se ver, tentava, então, fugir de sua realidade... tentava não encarar sua imagem no espelho...

Seria uma pessoa comum se não ligasse para estas coisas. Sempre teve complexos com espelhos. Tinha medo desde criança, achava que veria algum monstro ou o próprio demônio naquele portal dimensional, por isso evitava olhá-lo fixamente, principalmente à noite. Certa vez soube que uma mulher teria visto o diabo enquanto se maquiava e, a partir daí, negou-se a olhar no espelho mais do que o necessário. Nunca se adorou no espelho, sua vaidade se limitava a uma olhada para ver se havia pasta de dentes e remela nos olhos. Penteava seus cabelos e percebia pela sombra se estavam todas as mechas no lugar. O espelho não era seu amigo deveras, inimigo número um.

Acordava sempre cedo. Às 6:00 estava de pé no banheiro. Tomava banho e fazia suas necessidades fisiológicas pontuais. Escovava seus dentes, bocejava de sono e ia para o quarto. Claro, olhava-se de relance no espelho e certificava-se de que tudo estava certo. Ia para o quarto. Trocava sua roupa e ia em direção à cozinha. Morava sozinho, seu gênio era muito complicado e suas manias não muito aceitáveis para as mulheres que conhecia. Sua regularidade era insuportável. Era um solitário costumaz.

O café era forte e o gosto das rosquinhas da noite anterior ainda valia a pena. O calor do líquido descia aquecendo sua garganta e o doce das rosquinhas tornavam-no levemente amargo.

Após degustar o café matinal, ia novamente ao banheiro e mais uma vez encarava o espelho esperando alguma previsão fatalista, porém o que encontrava era uma boca salivante cheia de creme dental espumado. Cuspia, enquanto escovava seus dentes... Enxaguou com a água fria, secou-se com a toalha e deu mais uma olhadinha em sinal de despedida.

Era um ritual de 2 horas. Completou-se naquele dia no mesmo horário. O relógio digital piscava: 8:00. Era rotineiro, tão comum quanto o sol nascer por trás dos prédios do bairro onde morava. Saía de seu apartamento olhando para o chão de maleta na mão, não queria ver ninguém, apenas o reflexo e silhuetas lhe satisfaziam a curiosidade. Seu bom dia era um carrancudo sorriso sem graça de canto de boca. Enquanto as pessoas a sua volta se saudavam com largos sorrisos e bons dias, ele se limitava a observar e refletir sobre a falsidade humana. Introspectivamente, apesar de odiar o espelho, pensava nos comentários e na troca de confidências, nas quais seu companheiro refletor dizia que do ponto de referência especular a humanidade era hipócrita e sem sentido. Não compartilhava de sua opinião, mas ouvia com atenção e todas as vezes que via aquela cena pela manhã concordava.

Por que concordava? estariam se perguntando. Por que dava ouvidos àquele que odiava? A verdade é que nunca teve atritos com os vizinhos, entretanto os vizinhos que se saudavam todos os dias da mesma maneira eram os que mais discutiam por motivos fúteis. Portanto há razão na razão que aparentemente não existe.

Saía pela porta do prédio mudo como uma pedra. Seguia até o ponto de ônibus, calado e pensativo. Embarcava, sentava-se nas últimas poltronas e olhava vagamente pela janela. Não eram pessoas que via, era uma quantidade de seres em imagens deturpadas e sem rosto. Não conhecia ninguém que ali caminhava ao lado da janela. Todos em rosto.

Chegava em seu trabalho às 8:40. Alguns, persistentes, diziam-lhe algo parecido com um “bom dia”, outros se limitavam a murmurar qualquer coisa do tipo “que cara insuportável”, mas nada disso o incomodava ou comovia. Nada sentia, estava frio... Aproximava-se de sua mesa, sentava-se. Ajeitou-se na cadeira e olhou para a mesa demoradamente. Nada notou de diferente: papéis contendo gráficos financeiros, pastas amarelas aguardando análise e pareceres e a tela do computador aguardando ser acionada.

A tela preta do computador refletia seu rosto, ainda abatido. Era o espelho! Sua alma gelava toda vez que via sua imagem. Era uma loucura, uma obsessão, uma psicopatia... talvez sim, talvez não. O fato é que não agüentava ouvir a sua imagem divagando sobre o perfil humano das relações inumanas. Finalmente, a coragem apareceu do nada. Apertou o botão “Power” e ligou o computador. A imagem de seu reflexo tagarela parecia, então, sumir lentamente. Tentava resistir, entretanto a bela paisagem do fundo de tela fez desaparecer totalmente o reflexo.

“O dia vai ser cheio!” pensou e suspirou. Pegou os papéis, leu, assinou, digitou e divagou sobre as movimentações financeiras da empresa. Murmurou algumas conjecturas sem sentido e praguejou quando a caneta saltou-lhe das mãos em direção a lugar algum. Alguém, sem rosto, pega o objeto e devolve-lhe. Uma voz suave, toque gentil, cabelos longos, ondulados... Mas o rosto, não via o rosto... Ela... uma funcionária nova... agradeceu rapidamente e voltou a seus afazeres. Parou por um instante e voltou a pensar naquela voz. Voz angelical, corpo desejável, imaginava cada parte e se deliciava, contudo o rosto era igual a todos que via, uma grande figura oblonga sem identificação visual possível... Era como se todos usassem uma máscara branca sem olhos, boca, nariz ou expressão que tornasse possível uma identificação. Era assim que via todo mundo. Somente ele via seu próprio rosto. Somente ele.

O trabalho é a melhor forma de esquecer sua vida. Gastamos nossas energias e angústias da vida no trabalho. É um mundo agitado e diferente. Lá somos pessoas diferentes, funcionais e imprescindíveis. Tem aqueles que não gostam do que fazem e nesse caso o trabalho é um inferno. Mas o trabalho agradável é uma válvula de escape, uma fuga do mundinho doméstico de nossas vidas sem graça. A fuga, fugir de sua imagem, fugir do espelho que reside no banheiro, essa era a intenção. Aquela loucura acabava momentaneamente quando estava no trabalho, a não ser pela tela do computador, nada mais o incomodava.

Havia espelhos por toda parte. Havia imagens suas em todos os lugares, porém aquela multidão que passava tornava-os impessoais e menos confidentes. As pessoas que a ele fitavam não eram intencionais, buscavam atitudes sem sentido como o embelezamento do penteado ou uma simples conferência no visual casual, nada muito particular. Pode ser que todas aquelas pessoas tivessem algo com seus espelhos, pode ser... Entretanto ele tinha uma relação conflituosa. Quantas vezes sonhou (ou imaginou) quebrando aquele espelho em centenas de pedaços, quantas vezes visualizou este voando janela abaixo e tocando violentamente o chão e se evaporando? Nada disso fez. Covardia ou medo de ouvira verdade?

Na verdade todos nós temos medo de ouvir a verdade. Às vezes ela é muito dolorosa. O espelho sabia disso, mas não o poupava. Preferimos a ilusão do que a amarga realidade. A imagem refletida é uma prova disso. Uma crítica mal formulada e desabamos em nosso mundo interior. Muitas de nossas inimizades são construídas na nossa incapacidade de aceitar a verdade. A percepção do erro é algo intrínseco a esta falha de nosso caráter. Vemos aquilo que queremos ver...

O dia vai chegando ao fim e junto dele o expediente. O bolo de papéis diminuiu consideravelmente, o mundo parecia ser tão fácil desenhado em gráficos no papel. A vida era paradisíaca nas imagens do descanso de tela que se perdia em olhar de vez em quando. Por que nada daquilo podia ser real? Por que tudo que é belo deve ser uma galeria de fotografias espalhadas em outdoors, cartazes, fôlders, revistas, campanhas publicitárias, etc? Em tudo que via, as portas da desilusão o acompanhavam, sempre abertas... escancaradas, impiedosa. Ainda não compreendia por que ele tinha que ser daquele jeito. Tudo seria tão mais fácil se ignorasse!

Tudo ficou mais lento. O escritório estava fechando suas portas. Percebeu que era hora de ir embora para seu mundo. A voz suave soou-lhe mais uma vez e tornou a olhar aquele rosto inexpressivo. Imaginou uma longa conversa com esta mulher (Ineficaz!), sua imaginação terminava no momento dialógico em que ela se propôs a olhar em um pequeno espelho circular no alto do elevador. Ajeitou seus cachos e outros atos incompreensíveis da futilidade. Alguém gracejou e sussurrou algo em seu ouvido. Eles sorriram entre si. No canto observava. O seu desejo cessou repentinamente, a voz suave grasnava e o que parecia belo era feio. Afinal o que era uma beleza? Calculou a volta para casa assim que a porta do elevador se abriu. Todos passavam pela porta e dirigiam-se para a portaria, passavam o cartão magnético com códigos de barras (Identificação razoável para todos aqueles desprovidos de rosto) e iam para suas casas.

O mundo doméstico nada mais é do que nosso íntimo. Em nossa casa a lei que vigora é a nossa vontade. Tentamos fazer dentro dela tudo que não podemos fazer fora. O caos que lá reina é a nossa representação da organização universal. Assim tudo funciona quando se vive só. Seja numa prateleira organizada, seja nos livros empilhados de qualquer modo, tudo funciona do jeito que nós desejamos.

O trajeto de volta era o mesmo. Tudo que via parecia o inverso do que viu pela manhã (até mesmo as pessoas). Puxou a corda da campainha e desceu no ponto próximo de seu prédio. Ao aproximar-se deste, sentiu um desalento... como encarar o mundo que lhe dizia a verdade em capítulos seqüenciados dia após dia de sua existência? Como?

Subiu, olhou longamente para a porta de seu apartamento. Tirou as chaves (sentiu vontade de fugir, de não entrar lá), olhou para o corredor, primeiro para o lado direito, depois para o lado esquerdo. Desejou que alguém abrisse a porta e o convidasse a entrar, mas ninguém abriu... Nada aconteceu. Então, sentiu obrigado a virar a chave, abrir a porta e entrar. Acionou o interruptor e a luz se acendeu. Deixou a maleta no sofá e dirigiu-se ao banheiro.

Abriu a porta e parou em frente ao espelho disposto a enfrentá-lo em sua covardia. Gesticulou numa vaga tentativa de ligar a coragem como se liga a luz e nada conseguiu. O espelho o mostrava o quanto era impotente, o quanto era incapaz de enxergar o mundo a sua volta mas divagou sobre a dor que sentia em ver o que os outros não via. “O gênio da lâmpada” parecia dar-lhe o caminho... O que queria ver? O que não queria enxergar? O queria perceber? O que não queria olhar? Por que tantas indagações em sua mente? Era isso mesmo que queria? Um estalo... Escuridão e solidão... Silêncio...

Acordou em sua cama entre lençóis verdes, cobertor azul e listras vermelhas. O travesseiro macio o convidava a dormir mais um pouco, perdeu o horário. Levantou-se, bocejante, chegou ao banheiro e lavou o rosto. Olhou para o espelho e viu... nada... inexpressivamente nada. Escovou os dentes, penteou os cabelos, sorriu largamente e sentia-se bem, inexpressivamente bem. Tomou o café e foi trabalhar. Naquele dia os vizinhos o perceberam de modo estranho, quiseram não compreender, mas algo de diferente estava em seu rosto, uma sensação inexpressiva de vida, uma euforia desigual.

No trabalho a voz suave lhe cumprimentou e o seu rosto... seu rosto estava diferente. É impreciso definir o que estava diferente. O rosto dele, o rosto dela, se combinavam em olhares... estranhos olhares... Uma leve conversa sem sentido... toque de mãos, convite para um café durante o expediente. Ele mais solto, ela mais encantada. Ele... ela... a vida sem nexo. O mundo corria a sua volta e a verdade ficava cada vez mais perdida em seu íntimo. Escondida em seu inconsciente...

Estava sem rosto...

Este conto foi extraído do livro "O homem que briava com eseplhos". Se você gostou e quiser adquiri-lo, basta entrar em contato pelo e-mail: mboiuna@yahoo.com.br. Custa apenas R$ 1,00, preço de banana. Tudo pela divulgação do livro e da leitura.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Segunda - Meditação

Hoje é segunda. Um dia chato, início de semana e nada temos planejado. O meio da semana é mais esperado. A segunda é muito melancólica... À noite, tela quente na tv e um sono leve , que bate, avisando que amanhã é terça. Então, já é outra história.

Estava aqui pensando numa música: "Eu hoje joguei tanta coisa fora, eu vi o meu passado passar por mim, cartas e fotografias, gente que foi embora, a casa fica bem melhor assim". Versos interessantes. Muito bons para que nós possamos nos entender com nós mesmos em relação ao passado.

Nossa relação com o passado é, no mínimo, conflituosa. Falo isto porque se pararmos para pensar muitas coisas que fizemos, queríamos fazer de novo ou evitar de fazê-las. Então, começou a briga. O passado já se foi. Fica apenas a marca indelével na sua memória, viveremos outro presente de futuro para virar um passado em breve. Na verdade estamos vivendo um misto de presente com passado, pois se o presente é o agora e os segundos, minutos e horas representam uma marcação precisa, todos aqueles que jazem atrás de nós já é passado, portanto a cada letra que digito neste texto já estou fazendo um passado. Pronto, já alcancei outro conflito... o de não conseguir delimitar com perfeição o passado imediato...

Contudo, não vivemos sem ele. O passado deveria ser professor... Deveria nos ensinar a conduzir tudo, deveríamos aprender com os erros. Mas não é isto que acontece... Acabamos errando de novo. Por isso, acho que a aprendizagem na vida é individual e solitária, isto é, cada um aprende com seus erros, embora erramos de modo semelhante, nenhum erro é igual ao outro, assim não vou aprender com seu erro, apenas com o meu. Deu para entender ou ficou meio complicado? Digamos que esta confusão é meu estilo barroco de ser, não que eu seja sempre assim. Sou uma mistura de tudo e nada. Raul Seixas que o definiu, então, por que não?

Parei por aqui! Caso contrário vou escrever, escrever, escrever até a madrugada dizer que o dia apontou no horizonte. Deixarei esta divagação para um outro capítulo...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Fim de semana

Nada como um fim de semana após outro. Né?

Meu fim de semana começa na sexta-feira e termina na segunda. Ainda posso me dar ao luxo de organizar meu horário de trabalho de acordo com a minha vontade (Às vezes!).

Agora, falando do fim de semana... Dias de descanso para uns, tédio para outros e muita agitação para uma grande maioria. Prefiro não comentar em qual deste grupos me enquadro... Porém, tem certas situações em que você não se interessa e nem quer qualquer tipo de balada ou como se diz por aqui "zuação". Neste caso, um bom dvd, um vinho (para quem bebe), pipoca, uma pessoa querida do lado já preenche um fim de semana com tranquilidade. Entretanto, quem é um tanto misântropo, pode preferir ficar sozinho. Aí, um dvd, um livro ou momentos de meditação podem ser soluções viáveis para o fim de semana.

Há aqueles que preferem festas e "muvucas". Viagens curtas são sempre uma boa pedida. Rodas de amigos para se jogar conversa fora e cerveja. Muita cerveja!!!! Só falta cantar o hino nacional da cerveja no fim de semana: "Hoje é sexta-feira..." O resto todo mundo já sabe...

Retornando, de vez em quando ficamos numa ansiedade estranha, aquela do tipo paranóia de ficar só. Não querer ver ninguém e ter preguiça até de abrir a boca para falar um bom dia para si mesmo. Aí, é bom fechar portas e janelas e se trancar. Trancar a casa e si mesmo. Trancar para tudo, até para você mesmo. Assim você poderá estabelecer um desligamento completo do universo visível e criar um mundo de qualquer coisa. Um mundo de alívio, pânico, paz, depressão e outras coisas que um psicólogo adoraria falar em sua cabeça.

Hoje é domingo. Meu fim de semana foi agitado como muitos outros. Bate aquela tristeza momentânea: o fim de semana vem chegando ao fim, é hora de voltar ao mundo real. Que tristeza! Mas, não é de todo ruim, pois, após este fim de semana virá outro e muitas expectativas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sites das imagens

http://www.tudolink.com/wp-content/2007/07/vige.jpg

http://farm2.static.flickr.com/1375/1387238333_fb719efa60_o.jpg

http://i140.photobucket.com/albums/r38/rebolinho1/asucra.jpg

http://sobretudo.blogueisso.com/wp-content/uploads/2007/10/tend-tudo.jpg

http://www.catanduvaemdia.com/anapaula-sauda.jpg

http://cadeorevisor.files.wordpress.com/2007/08/festa-do-morango.jpg

http://img78.photobucket.com/albums/v298/tenenteblueberry/Erros%20de%20portugues/errodeportugues2.jpg

http://risadas.files.wordpress.com/2008/03/rejuve01.jpg

http://tadificil.files.wordpress.com/2007/02/atendimento-pref.jpg

http://www.duplipensar.net/images/educacao/erro-viaduto.jpg

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/09/137_2759-windli.jpg


Quer mais imagens? Google Imagens - Erros de português. Tem centenas de imagens com coisas ainda mais absurdas! Clique Aqui.

Mais Absurdos contra a Nossa Amada Língua Portuguesa (III)



Mais Absurdos contra a Nossa Amada Língua Portuguesa (II)





Mais Absurdos contra a Nossa Amada Língua Portuguesa






Olhem as imagens acima!!! É triste ver isto!!!!

Campanha em defesa da Língua Portuguesa (De novo!!)

Se, meus caros leitores, acharem algo de errado em meus posts, não hesitem em me corrigir em seus comentários. Afinal é uma campanha ampla e aberta e não estamos livres de pequenos deslizes. Ok?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Reforma Ortográfica

Não é porque fizeram uma reforma ortográfica que todos podem escrever do jeito querem, né? Então, vamos lá! Abaixo está um resumo da nova reforma ortográfica da língua portuguesa:

As mudanças estabelecidas pelo acordo ortográfico atingem em menor escala a grafia utilizada no Brasil: aproximadamente 0,5% das palavras, enquanto em Portugal chegam a 1,6%.

"As alterações dizem respeito ao uso de sinais diacríticos (trema, acentos agudo e circunflexo) e hífen", explica José Carlos de Azeredo, doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do livro "Escrevendo Pela Nova Ortografia", feito pelo Instituto Houaiss em parceria com a Publifolha. Saiba mais sobre o livro.

"O acordo procura eliminar particularidades sentidas como supérfluas nas duas normas, em nome da uniformidade ortográfica no mundo da lusofonia", afirma Azeredo. Ainda segundo o autor, "a ortografia do português, no Brasil como em Portugal, continua a ser predominantemente fonética, com razoável correspondência entre forma gráfica e pronúncia". E é este critério que rege a eliminação das "letras mudas", muito utilizadas em Portugal em palavras como direcção (que passa a direção) e adoptar (que passa a adotar), assim como a supressão do trema.

Veja abaixo o que muda no Brasil com as novas regras do acordo:

Alfabeto

O alfabeto da língua portuguesa passa a ter 26 letras, com a inclusão oficial do k, w e y.

Acentuação

As paroxítonas com ditongos abertos tônicos éi e ói, como "idéia" e "paranóico" perdem o acento agudo. Palavras como crêem, dêem, lêem e vêem também perderão o acento, assim como as paroxítonas com acento circunflexo no penúltimo o do hiato oo(s) (vôo, enjôo).

Palavras homógrafas (com a mesma grafia, mas com pronúncia diferente) como pára, pêlo, pélo e pólo também não serão mais acentuadas. Paroxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo decrescente, como "feiúra" e "baiúca", também não levarão acento.

Veja trecho do livro sobre acentuação de oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas

Trema

O trema será totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas, como "cinqüenta" e "tranqüilo". A única exceção fica por conta de nomes próprios estrangeiros, como "Müeller", por exemplo.

Hífen

As novas regras para o hífen são as que têm causado mais dúvidas. "Alguma dificuldade por advir de umas tantas mudanças no uso de hífen. Mas, se considerarmos que este sempre foi um domínio de zonas obscuras, os usuários podem até vir a sentir-se aliviados com a possibilidade de alguma simplificação", diz Azeredo.

O hífen não será mais empregado em prefixos terminados em vogal seguidos de r ou s. Neste caso, dobra-se o r ou o s. Exemplos: antirreligioso, antissocial e minissaia.

O hífen será utilizado com os prefixos hiper, inter, super seguidos de palavras iniciadas por r, como "hiper-resistente". O sinal também será utilizado em prefixos terminados em vogal como ante, contra e semi seguidos de vogal igual ou h no segundo termo. Exemplos: micro-ondas, anti-higiênico e pré-histórico.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u443383.shtml


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entra em vigor em 2009, vai alterar a acentuação de algumas palavras, extinguir o uso do trema e sistematizar a utilização do hífen, entre outras mudanças significativas. No Brasil, palavras como "heróico", "idéia" e "feiúra", por exemplo, deixarão de ser acentuadas.

O livro "Escrevendo Pela Nova Ortografia" , feito pelo Instituto Houaiss em parceria com a Publifolha, apresenta o acordo na íntegra, com observações e explicações sobre o que mudou. Saiba mais sobre todas as mudanças e veja mais informações sobre o livro.

Veja abaixo as novas regras de acentuação para oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, retiradas do livro.

Da acentuação gráfica das palavras oxítonas

1º-) Acentuam-se com acento agudo:

As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas abertas grafas -a, -e ou -o, seguidas ou não de -s: está, estás, já, olá; até, é, és, olé, pontapé(s); avó(s), dominó(s), paletó(s), só(s).

Obs.: Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em -e tónico/tônico, geralmente provenientes do francês, esta vogal, por ser articulada nas pronúncias cultas ora como aberta ora como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê, bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou rapê.

O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, ró (letra do alfabeto grego) e rô. São igualmente admitidas formas como judô, a par de judo, e metrô, a par de metro.

b) As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes clíticos lo(s) ou la(s), ficam a terminar na vogal tónica/tônica aberta grafada -a, após a assimilação e perda das consoantes finais grafadas -r, -s ou -z: adorá-lo(s) (de adorar-lo(s)), á-la(s) (de ar-la(s) ou dá(s)-la(s)), fá-lo(s) (de faz-lo(s)), fá-lo(s)-ás (de far-lo(s)-ás), habitá-la(s) iam (de habitar-la(s)- iam), trá-la(s)-á (de trar-la(s)-á);

c) As palavras oxítonas com mais de uma sílaba terminadas no ditongo nasal grafado em (exceto as formas da 3ª- pessoa do plural do presente do indicativo dos compostos de ter e vir: retêm, sustêm; advêm, provêm; etc.) ou -ens: acém, detém, deténs, entretém, entreténs, harém, haréns, porém, provém, provéns, também;

d) As palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éi, -éu ou -ói, podendo estes dois últimos ser seguidos ou não de -s: anéis, batéis, fiéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s); corrói (de corroer), herói(s), remói (de remoer), sóis.

2º-) Acentuam-se com acento circunflexo:

a) As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas fechadas que se grafam -e ou -o, seguidas ou não de -s: cortês, dê, dês (de dar), lê, lês (de ler), português, você(s); avô(s), pôs (de pôr), robô(s);

b) As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes clíticos -lo(s) ou la(s), ficam a terminar nas vogais tónicas/tônicas fechadas que se grafam -e ou -o, após a assimilação e perda das consoantes finais grafadas -r, -s ou -z: detê-lo(s) (de deter-lo(s)), fazê-la(s) (de fazer-la(s)), fê-lo(s) (de fez-lo(s)), vê-la(s) (de ver-la(s)), compô la(s) (de compor-la(s)), repô-la(s) (de repor-la(s)), pô-la(s) (de por-la(s) ou pôs-la(s)).

3º-) Prescinde-se de acento gráfico para distinguir palavras oxítonas homógrafas, mas heterofónicas/heterofônicas, do tipo de cor (ô), substantivo, e cor (ó), elemento da locução de cor; colher (ê), verbo, e colher (é), substantivo. Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da preposição por.

Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas

1º-) As palavras paroxítonas não são em geral acentuadas graficamente: enjoo, grave, homem, mesa, Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente, moçambicano.

2º-) Recebem, no entanto, acento agudo:

a) As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i ou u e que terminam em -l, -n, -r, -x e -ps, assim como, salvo raras exceções, as respectivas formas do plural, algumas das quais passam a proparoxítonas: amável (pl. amáveis), Aníbal, dócil (pl. dóceis) dúctil (pl. dúcteis), fóssil (pl. fósseis) réptil (pl. répteis: var. reptil, pl. reptis); cármen (pl. cármenes ou carmens; var. carme, pl. carmes); dólmen (pl. dólmenes ou dolmens), éden (pl. édenes ou edens), líquen (pl. líquenes), lúmen (pl. lúmenes ou lumens); açúcar (pl. açúcares), almíscar (pl. almíscares), cadáver (pl. cadáveres), caráter ou carácter (mas pl. carateres ou caracteres), ímpar (pl. ímpares); Ajax, córtex (pl. córtex; var. córtice, pl. córtices), índex (pl. índex; var. índice, pl. índices), tórax (pl. tórax ou tóraxes; var. torace, pl. toraces); bíceps (pl. bíceps; var. bicípite, pl. bicípites), fórceps (pl. fórceps; var. fórcipe, pl. fórcipes).

Obs.: Muito poucas palavras deste tipo, com as vogais tónicas/tônicas grafadas e e o em fim de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre nas pronúncias cultas da língua e, por conseguinte, também de acento gráfico (agudo ou circunflexo): sémen e sêmen, xénon e xênon; fémur e fêmur, vómer e vômer; Fénix e Fênix, ónix e ônix.

b) As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i ou u e que terminam em -ã(s), -ão(s), -ei(s), -i(s), -um, -uns ou -us: órfã (pl. órfãs), acórdão (pl. acórdãos), órfão (pl. órfãos), órgão (pl. órgãos), sótão (pl. sótãos); hóquei, jóquei (pl. jóqueis), amáveis (pl. de amável), fáceis (pl. de fácil), fósseis (pl. de fóssil), amáreis (de amar), amáveis (id.), cantaríeis (de cantar), fizéreis (de fazer), fizésseis (id.); beribéri (pl. beribéris), bílis (sg. e pl.), iris (sg. e pl.), júri (pl. júris), oásis (sg. e pl.); álbum (pl. álbuns), fórum (pl. fóruns); húmus (sg. e pl.), vírus (sg. e pl.).

Obs.: Muito poucas paroxítonas deste tipo, com as vogais tónicas/ tônicas grafadas e e o em fim de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre nas pronúncias cultas da língua, o qual é assinalado com acento agudo, se aberto, ou circunflexo, se fechado: pónei e pônei; gónis e gônis, pénis e pênis, ténis e tênis; bónus e bônus, ónus e ônus, tónus e tônus, Vénus e Vênus.

3º) Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica/tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia; coreico, epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia, boia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina, heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina.

4º-) É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tónica/tônica é aberto naquele caso em certas variantes do português.

5º-) Recebem acento circunflexo:

a) As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vogais fechadas com a grafia a, e, o e que terminam em -l, -n, -r ou -x, assim como as respectivas formas do plural, algumas das quais se tornam proparoxítonas: cônsul (pl. cônsules), pênsil (pl. pênseis), têxtil (pl. têxteis); cânon, var. cânone, (pl. cânones), plâncton (pl. plânctons); Almodôvar, aljôfar (pl. aljôfares), âmbar (pl. âmbares), Câncer, Tânger; bômbax (sg. e pl.), bômbix, var. bômbice, (pl. bômbices).

b) As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vogais fechadas com a grafia a, e, o e que terminam em -ão(s), -eis, -i(s) ou -us: benção(s), côvão(s), Estêvão, zángão(s); devêreis (de dever), escrevêsseis (de escrever), fôreis (de ser e ir), fôsseis (id.), pênseis (pl. de pênsil), têxteis (pl. de têxtil); dândi(s), Mênfis; ânus.

c) As formas verbais têm e vêm, 3 a-s pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que são foneticamente paroxítonas (respectivamente / t ã j ã j /, / v ã j ã j / ou / t j /, / v j / ou ainda / t j j /, / v j j /; cf. as antigas grafias preteridas, têem, vêem), a fim de se distinguirem de tem e vem, 3a -s pessoas do singular do presente do indicativo ou 2 a-s pessoas do singular do imperativo; e também as correspondentes formas compostas, tais como: abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detém), entretêm (cf. entretém), intervêm (cf. inter- vém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém), provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).

Obs.: Também neste caso são preteridas as antigas grafias detêem, intervêem, mantêem, provêem etc.

6º-) Assinalam-se com acento circunflexo:

a) Obrigatoriamente, pôde (3ª- pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), que se distingue da correspondente forma do presente do indicativo (pode).

b) Facultativamente, dêmos (1ª- pessoa do plural do presente do conjuntivo), para se distinguir da correspondente forma do pretérito perfeito do indicativo (demos); fôrma (substantivo), distinta de forma (substantivo: 3ª- pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ª- pessoa do singular do imperativo do verbo formar).

7º-) Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tónico/tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3ª- pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.

8º-) Prescinde-se igualmente do acento circunflexo para assinalar a vogal tónica/tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de povoar, voo, substantivo e flexão de voar etc.

9º-) Prescinde-se, do acento agudo e do circunflexo para distinguir palavras paroxítonas que, tendo respectivamente vogal tónica/tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas. Assim, deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de per e la(s); pelo (é), flexão de pelar, pelo(s) (ê), substantivo ou combinação de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.

10º-) Prescinde-se igualmente de acento gráfico para distinguir paroxítonas homógrafas heterofónicas/heterofônicas do tipo de acerto (ê), substantivo e acerto (é), flexão de acertar; acordo (ô), substantivo, e acordo (ó), flexão de acordar; cerca (ê), substantivo, advérbio e elemento da locução prepositiva cerca de, e cerca (é), flexão de cercar; coro (ô), substantivo, e coro (ó), flexão de corar; deste (ê), contracção da preposição de com o demonstrativo este, e deste (é), flexão de dar; fora (ô), flexão de ser e ir, e fora (ó), advérbio, interjeição e substantivo; piloto (ô), substantivo e piloto (ó), flexão de pilotar; etc.

Da acentuação das palavras proparoxítonas

1º-) Levam acento agudo:

a) As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta: árabe, cáustico, Cleópatra, esquálido, exército, hidráulico, líquido, míope, músico, plástico, prosélito, público, rústico, tétrico, último;

b) As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam na sílaba tónica/tônica as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta, e que terminam por sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas ditongos crescentes (-ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -uo etc.): álea, náusea; etéreo, níveo; enciclopédia, glória; barbárie, série; lírio, prélio; mágoa, nódoa; exígua, língua; exíguo, vácuo.

2º-) Levam acento circunflexo:

a) As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica vogal fechada ou ditongo com a vogal básica fechada: anacreôntico, brêtema, cânfora, cômputo, devêramos (de dever), dinâmico, êmbolo, excêntrico, fôssemos (de ser e ir), Grândola, hermenêutica, lâmpada, lôstrego, lôbrego, nêspera, plêiade, sôfrego, sonâmbulo, trôpego;

b) As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam vogais fechadas na sílaba tónica/tônica, e terminam por sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas como ditongos crescentes: amêndoa, argênteo, côdea, Islândia, Mântua, serôdio.

3º-) Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas grafadas e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas m ou n, conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/ anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, Antó- nio/Antônio, blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/ gênio, ténue/tênue.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u441414.shtml

Sites para a Campanha

Os sites abaixo oferecem muita informação pertinente ao nosso idioma:

http://www.nlnp.net/lingua.htm

http://www.sualingua.com.br/

http://www.nossalinguaportuguesa.com.br/

http://www.educacional.com.br/

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home

Campanha em defesa da Língua Portuguesa

O belo poema abaixo é para refletir:

LÍNGUA PORTUGUESA

Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


Quão bela é nossa língua, nenhuma outra nos servirá, nenhuma outra nos expressará, nenhuma outra nos representará! Mboiuna

Salve a Língua Portuguesa, por favor!!!







Onde mais se comete crimes ortográficos neste país? Nas ruas? Em conversas informais na boca vulgar do povo brasileiro? Nas escolas? Nas redações dos alunos? Onde, onde?

Na internet!!!! Pasme, meu amigo! Isto mesmo, na internet. É triste, mas é verdade. A quantidade de erros ortográficos que vejo e leio pelos artigos, mensagens, textos e outros mais é inacreditável. Não venha me dizer que é erro de digitação. Acho inadimissível aceitar esta desculpa descabida para justificar o desconhecimento da língua materna.

Vejamos: erro por digitação - escrever baca e não vaca. Sim, pode ser possível, afinal na geografia do teclado o v e o b estão muito próximos. Outro exemplo é o que eu mais erro, misturar letras próximas numa digitação rápida: sdo e não do... Justificável, não?

Agora, cempre e não sempre, sol e não sou... etc... etc... etc... Aí, a história é diferente!!!

Por isso, lanço mão da Campanha Nacional (Quiçá Internacional!!!!!) Salve a Língua Portuguesa, porque é necessário evitar tantos absurdos que cometem contra a nossa querida língua...

Onde começar? Corrijam seus amigos (E prestem atenção nas suas mensagens também!) no ORKUT e MSN. Comentários em Blogs, sites, etc... Postar comentários que corrijam os erros dos usuários seria um bom começo (Bom esforço).

Outra boa ação em prol da nossa língua é olhar com atenção cartazes, panfletos, folhetos, folders, out doors, etc. Identificado a transgressão, ligue, imediatamente para o responsável ou para a empresa que solicitou o pedido. Peça para que corrijam o erro que, neste caso, é uma ofensa pública.

Acho que as empresas deveriam ter em seu quadro de funcionários um professor de português para fazer a revisão e as devidas correções em seu material de divulgação. Isto deveria ser lei e com punição cabível a qualquer empresa ou setor que divulga ao público informações: "Art. Único: Toda empresa deverá ter um professor de português para zelar pelo bom emprego da língua e assim resguardar o público de ofensas ortográficas. Parágrafo Único: A empresa que não se adequar ao caput será punida e multada em R$........" Mais ou menos uns 8 zeros já ajuda e evita qualquer tentativa de agressão ao nosso idioma.

Momento de reflexão: O que nós estávamos fazendo que deixamos os abusurdos chegarem a este ponto? Dormíamos? Omitimos nossas responsabilidades de cidadãos? Faltamos às aulas de Português? O que, então, estávamos fazendo?

Acabou o momento de reflexão!!!!

Taí, falei muito de erros ortográficos!!!! Existem erros de concordância, regência, pontuação, blablablá, blablablá, blablablá e blablablá...

Só para ilustrar, olhe bem nas fotos acima alguns absurdos!!!

Agora, meus compatriotas, entre nesta Campanha, antes que a língua portuguesa entre para a lista de extinção!!!

Lutai, irmãos!!!!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O TÍTULO DO BLOG

Pensar no título deste blog não foi tarefa fácil. Pensar em algo diferente e novo é coisa muito difícil.

De vez em quando você recebe um insight e pronto! Achou o que queria, outras vezes não é assim...

Pensei em Satyrus, porém me impediram por existir algo semelhante... Então, pensei em algo que niguém pensaria... Usei o TUPI para definir o título. TATATINGA DE PITIBAU, em termos gerais, significa: FUMAÇA DE CACHIMBO em português.

Tinha pensado em fogo de palha, mas a sonoridade do título arranjado é muito melhor!!!!

P.S. Não é a primeira vez que lanço mão do Tupi para definir qualquer coisa na Internet. Meus e-mails todos tem palavras nesta língua indígena. Mboiuna é um deles...

Então, Tatatinga de Pitibau para vocês também!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O NADA!!!!

Às vezes, paramos no meio do caminho e ficamos pensando: " O que estou fazendo aqui?". Esta questão é a mais complexa que o ser humano pode fazer a si mesmo. E o pior de tudo é: Não tem resposta!!!! Não como convencionamos.

A variedade de possíveis respostas para isto está no interior diferenciado de cada ser que anda nesta terra. Uma viagem insólita a lugar nenhum...

Na verdade, as únicas certezas que temos são aquelas puramente naturais: Você nasce, cresce, envelhece e morre...

Não quero fazer humor negro, mas o que posso fazer é tentar rir um pouco da desgraça que cada um carrega consigo neste mundo.