Para começar, gostaria de explicar o título deste texto.
Lancei mão deste dito de Shakespeare para ilustrar minha indignação enquanto
professor de escola pública (digo escola pública porque nunca vi [ou ouvi] um
professor de escola privada reclamando, por mais que seja uma merda). Esta
minha indignação se reforça em cada momento que tenho ao encarar minha carreira
sendo jogada no lixo por parte do Governo do Estado de Minas, representado aqui
pelo (des)governador Antônio Augusto Anastasia (que se diz também professor).
Retornando, ser ou não ser... Na atual conjuntura
apocalíptica de nossa era fragmentada em crises econômicas (para pobres!), copa
do mundo e olimpíadas, fico me perguntando: Por que ser professor? Resposta
idealista: É uma profissão nobre, cuida da cidadania e da preparação dos alunos
para uma vida melhor, etc, etc, etc e etc... Entretanto, é uma profissão! Não é
voluntarismo! Trabalha-se nesta profissão (e muito!!!)
Ainda há quem pense que não trabalhamos e dizem: Ah, vocês
tem duas férias por ano, feriados, sábados, domingos! Isto é que é trabalho! Eu
queria estar em seu lugar! Suspiram desejosos (ou invejosos)! Mas... Não é bem
assim. Trabalhamos o tempo todo. Qual professor não sai da escola já planejando
o que fazer no próximo dia, uma aula diferente, um projeto, um texto, uma
novidade qualquer, uma discussão, um filme ou qualquer outra forma de agir
pedagogicamente de forma eficiente para alcançar o verdadeiro aprendizado?
Quem, professor, não pensa educação 24 h por dia? Quem não gasta horas
corrigindo provas, lançando notas, revisando redações, preparando recuperações?
E vem me dizer que não trabalhamos! Bananas para estes!
Recebemos por isso. É justo, muito justo... É justíssimo!
Quem trabalha quer receber pelo seu trabalho. Se fosse voluntarismo, eu seria
rico e este seria meu hobby. Porém, não creio ser rico, este não é meu hobby e
preciso viver. Preciso de pagamento justo pelo meu trabalho. Por isso me lancei
em uma greve de 112 dias neste ano. Não aceito ser desvalorizado! Grito ainda
mais alto: NÃO ACEITO SER OVELHA! Não serei conduzido! Não pastarei capim seco!
Eu tenho meu valor!
Fugi novamente do propósito inicial. Bom, vamos lá! Já
expliquei por que sou professor. Agora vou analisar da seguinte perspectiva: se
eu fosse um estudante secundarista e fosse indagado sobre ser professor hoje, o
que eu diria? Resposta óbvia: NÃO SERIA PROFESSOR! Seria técnico em alguma
coisa, autônomo com alguma formação em prestação de serviços, comerciante,
engenheiro, consultor, etc. Mas professor, NÃO! E, se alguém me pergunta sobre
ser professor (Embora esta pergunta seja rara hoje me dia!)... Eu respondo com
uma nova pergunta: Tem certeza de que quer ser professor?
Meu idealismo foi enterrado há muito através das diversas
greves, ganhos parcos, derrotas evidentes, companheiros alienados, sindicatos
vendidos, governos elitistas e outras coisas. Cada um destes itens desta
equação complexa serviu para acabar com a minha visão de mudança pelo diálogo
democrático direto sem embates. Não baixo a cabeça, não desisto... perdi meu
idealismo, não meu orgulho!
Embora não me tornasse professor nesta época atual, quando me
decidi por isto, eu já sabia da situação. Porém, achei, naqueles tempos, que
poderíamos mudar o mundo. Agora vejo que foi o mundo que nos mudou. E nem
percebemos! Acordo no meio da Matrix e olho para todos, felizes em seus
casulos, vivendo a ilusão da melhora que não existe. Sugam-nos as nossas
vontades e nos dão falsas liberdades e esperanças vãs no ato do consumismo
controlado. Sim, é isto que vejo! Um quadro cinza sem vida inteligente...
Depois da última greve percebi que perdi minha inocência
completa. Perdi a crença no Estado democrático, nos poderes Legislativo e
Judiciário, na Constituição Federal, enfim, na democracia. Descobri da pior
maneira possível que tudo isto é uma farsa e que nós sustentamos todo este
complexo sistema de exploração. Não podemos ser coniventes com isto! Não posso
ser, não aceito!
Acordem todos! Vejam o que está diante de seus olhos! Estão
transformando todos vocês em robôs orgânicos, trabalhadores pacíficos,
cumpridores de suas obrigações. Consumidores ativos que não sabem o que compram
e para que compram. Sistema de saúde comprometido, segurança mínima, transporte
precário, educação péssima, poder de compra limitado às linhas de créditos,
controle mental, alienação total!
Acordem, vocês não são robôs, não são gado! Se o que digo não
fosse verdade, não haveria necessidade de existir um órgão de defesa dos
Direitos Humanos. Vocês são seres humanos e merecem ser tratados como tal!
Levantem-se, ergam punhos cerrados contra aqueles que chicoteiam, libertem-se
dos grilhões da servidão, massacrem os senhores, tomem posse de seu ser! Sejam
novamente humanos!


Nenhum comentário:
Postar um comentário