quinta-feira, 28 de outubro de 2010

EDUCAÇÃO E POLÍTICA

Estive revisando alguns comentários de senadores sobre o resultado do IDEB/2009, cuja nota foi 4,6 e pude observar como são propostas as soluções para a educação no Brasil. Cristovam Buarque é o cara mais coerente no que diz respeito a esse assunto, talvez seja por que ele já tenha sido Ministro da Educação e conhece a realidade das escolas públicas do país, sei lá... Ele disse que esta nota comprova que a educação no Brasil vai mal, muito mal, está reprovada. Se fôssemos olhar outros fatores, a educação estaria literalmente no buraco. Assim, ele defende a federalização do ensino básico, transformando este num patrimônio da nação, sob responsabilidade do povo e que fosse financiado pelo mesmo. Ele disse, ainda, que espera que o Senado Brasileiro passe a encarar a questão como de extrema necessidade.

Heráclito Fortes (DEM-PI), por sua vez, apresenta uma interferência tímida e nada esclarecedora, dizendo que os cargos eletivos deveriam ser um tipo de quarentena para quem ocupar essa pasta na esfera estadual e criticou a utilização "eleitoreira" do cargo de secretário da educação. Bom, não sei o quanto esta sugetão poderá melhorar a educação no Brasil... Cristovam, então, sugeriu que a profissão de professor fosse federalizada, o que seria uma boa, pois haveria uma possível igualdade na classe por todo o país. Atualmente, as carreiras e os salários são muito diferentes em todo o país, alguns Estados pagam bem, outros, pagam nada, é uma tristeza.

Arthur Virgílio (PSDB-AM) criticou o discurso de se considerar o professor "sacerdote" para justificar baixos salários. Mencionou como exemplo de país a Coreia do Sul que investiu maciçamente em educação e, com isso, ultrapassou o Brasil em renda per capita, tornando-se país exportador de produtos de alta tecnologia. Vamos olhar com cautela o que ele disse: parece que este senador não considera o professor como peça fundamental no esquema para melhorar a educação no Brasil. É como se dissesse que chorássemos de barriga cheia. Este realmente não sabe das coisas, discurso em tribuna é seu ofício, não conhece a realidade. Vejamos o que a Coréia do Sul fez:

- Concentrar os recursos públicos no ensino fundamental - e não na universidade - enquanto a qualidade nesse nível for sofrível

- Premiar os melhores alunos com bolsas e aulas extras para que desenvolvam seu talento

- Racionalizar os recursos para dar melhores salários aos professores (Eis aqui um um ponto que os teóricos políticos da educação não querem nem ver!!!!)

- Investir em pólos universitários voltados para a área tecnológica

- Atrair o dinheiro das empresas para a universidade, produzindo pesquisa afinada com as demandas do mercado

- Estudar mais. Os brasileiros dedicam cinco horas por dia aos estudos, menos da metade do tempo dos coreanos

- Incentivar os pais a se tornarem assíduos participantes nos estudos dos filhos

Com atitudes como estas que a Coréia se tornou exportador de tecnologias, saiu da condição de país subdesenvolvido para potência emergente do continente asiático. Concluindo, nós poderíamos fazer isto, nós temos capacidade para ir muito mais longe. Basta boa vontade política e um empurrão popular em busca de uma educação de qualidade.

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