segunda-feira, 23 de agosto de 2010

THELEMA: Breve resumo


Edward Alexander Crowley (12/10/1875 - 01/12/1947)

Thelema é a filosofia ou religião - dependendo do ponto de vista - baseada nos dois preceitos fundamentais da chamada Lei de Thelema:

  • "Faze o que tu queres será o todo da Lei."
  • "Amor é a lei, amor sob vontade."

Estes foram apresentados ao mundo, desta forma, no Livro da Lei (Liber AL vel Legis), escrito por Aleister Crowley nos dias 8 a 10 de abril de 1904. Seus adeptos são chamados de "thelemitas".

Crowley desenvolveu o sistema thelemico a partir de uma série de experiências metafísicas experimentadas por ele e sua então esposa, Rose Edith Kelly Crowley, no início de 1904. A partir dessas experiências ele argumentava ter sido contactado por uma inteligência não-corpórea denominada Aiwass (a quem identificou mais tarde como seu Sagrado Anjo Guardião), a qual ditou a ele, entre o meio-dia e as 13 horas dos dias 8, 9 e 10 de abril daquele ano, o Livro da Lei (Liber AL vel Legis). Sabe-se, além disso, que pensadores anteriores a Crowley apresentaram traços da cosmovisão e sistema contidos no livro, de modo que o conhecimento thelêmico, embora coroado pelo Liber AL, não se restringe a ele.

O livro contém tanto a frase "Faze o que tu queres será o todo da Lei" quanto o termo θέλημα, o qual Crowley tomou como nome do sistema filosófico, místico e religioso que veio a se desenvolver a partir do texto daquele livro, considerado como sagrado pelos thelemitas (aqueles que seguem a filosofia ou religião de Thelema). O sistema thelemico inclui uma série de referências de magia, ocultismo, misticismo e religião, tanto ocidentais quanto orientais, tais como a Cabala e a Yoga. Segundo Crowley, Thelema representaria um novo sistema ético e filosófico para a humanidade, caracterizando um Novo Eon (nova era).

É comum que a Lei de Thelema seja compreendida, à primeira leitura, como uma licença para que se executem todos os desejos e caprichos que uma pessoa tenha, sem que haja responsabilidade ou consequências por seus atos. Contudo, esta filosofia prega justamente o oposto, partindo da idéia de que cada ser humano, por possuir livre arbítrio, é inteiramente responsável por sua existência e por suas ações, sem ser absolvido ou culpado por nenhum Deus ou Diabo no que tange o destino de sua própria vida. A liberdade de todo Homem e toda Mulher é, portanto, cultuada, uma vez que, como consta no Liber AL, "todo homem e toda mulher é uma estrela". O resultado disso é um profundo respeito a si próprio, à cada indivíduo e à cada forma de vida, como sendo expressões particulares do Divino.

Além disso, Thelema conclama cada um à descoberta e realização de sua Vontade (a inicial maiúscula sendo utilizada para diferenciar esta da vontade trivial, a expressão Verdadeira Vontade também sendo utilizada para tanto). Cada um de nós tem por obrigação descobrir e cumprir essa Verdadeira Vontade, deixando de lado todo capricho e distração que possa nos afastar deste objetivo máximo. Ao realizá-la, estamos nos integramos perfeitamente à nossa Natureza, que reflete a ordem do Universo. Portanto, realizar a Verdadeira Vontade é despertar para a Vontade do Universo.


Panteão

A primeira idéia a ser descartada quando se estudam as divindades telêmicas é a de que elas sejam, de fato, deuses. Antes de mais nada o telemita enxerga a divindade como a representação simbólica de um arquétipo inerente ao próprio Ser Humano. Desta forma os deuses do Panteão telêmico não são vistos como entidades externas e sim internas.

Outra característica do Panteão telêmico é ser aberto. Ou seja, algumas idéias principais são expostas na figura de um determinado grupo de divindades, aqui apresentadas. Entretanto sendo as divindades representações arquetípicas, toda e qualquer divindade, de qualquer mitologia é aceita como ferramenta de trabalho dentro de Thelema.

Caos

Idéia irrepresentável do princípio básico de tudo. O Caos, tal como na mitologia grega, é a matriz de onde qualquer idéia, forma, etc. pode surgir. Diferente do Chaos conforme encontrado na vertente conhecida como "Chaos magick", possui um valor semelhante à possibilidade e não necessariamente a um rompimento.

Nuit

A deusa egípcia preenchida de estrelas, cujo corpo forma a abóbada celeste é a representação do Todo em um nível Macrocósmico. Sendo todo homem e toda mulher uma estrela, Nuit simboliza a união de toda a humanidade em nível espiritual. Costuma ser representada por um círculo.

Hadit

O globo solar alado de Hadit é a representação da individualidade, o Self. Simboliza a Serpente de Luz que deve se elevar para encontrar Nuit e assim alcançar a plenitude. O Sol interior, a fonte de toda a luz e sabedoria. Assemelha-se ao conceito do Logos.

Horus

Horus é uma divindade dual, composta por Ra-Hoor-Khuit e Harpocrates. Ra-Hoor-Khuit é o deus de cabeça de falcão, simbolizando o Ser Humano em sua porção ativa, masculina, material. Harpocrates é a criança nascida no Reino dos Mortos, representado como um menino nú com o dedo indicador direito sobre os lábios, representando o Ser Humano em sua porção silenciosa, passiva, feminina. Juntos eles perfazem a divindade solar Horus, que representa o Ser Humano íntegro, divinizado.

Osíris

O deus egípcio dos mortos, que teve seu corpo destruído e espalhado pelo mundo e depois reconstruído por sua esposa Isis, representa o Ser Humano espiritualmente redivivo. Considera-se que o Ser Humano é composto de várias partes (corpo, mente, espírito) que encontram-se em um estado de desarmonia. Osíris simboliza, tal como em seu mito, a harminização destes componentes do Ser Humano pleno por força de um amor maior.

Baphomet

Mais do que uma divindade, Baphomet é um dos maiores símbolos da Egrégora telêmica. Sua imagem é um complexo glifo de simbolismos alquímicos, herméticos, astrológicos, etc.. Dentro da filosofia telêmica, a imagem de Baphomet não possui qualquer correlação com o demônio, Satan ou similares.

Pan

Este deus grego de extrema sexualidade representa o princípio masculino ativo e criador. É também uma simbologia para o Todo do Microcosmo. É o homem em contato com o seu eu instintual, O "pai de todos", o homem-besta, o religare entre o racional humano e o instinto natural presente em toda a criação.

Babalon

Representando o princípio feminino ativo é um arquétipo da mulher telemita, forte, decidida e capaz de comandar o mundo à sua volta. Sendo a representação de todas as mulheres, Babalon é uma deusa sem rosto mas normalmente "descrita" como uma mulher voluptuosa de cabelos vermelhos.

Æons

Æon (ou Eon) é a palavra grega para "Era". A filosofia telêmica prega que a evolução espiritual humana pode ser dividida em diferentes eras. Em cada uma destas há a preponderância de um determinado pensamento espiritual. Este pensamento determina a forma de interação entre os seres humanos e o divino e é figurado pelo arquétipo de uma determinada divindade egípcia. Desde o surgimento da humanidade apresentaram-se três Æons:

Æon de Ísis

Foi a primeira de todas as Eras, surgindo desde o neolítico. Nesta Era predominam as religiões matrifocais, centradas na figura da Deusa-Mãe. A adoração ao divino tinha seu retorno imediato, na forma de melhores colheitas, caçadas, etc.. As religiões tendem a apresentar divindades humanizadas e emotivas. Raramente possui a idéia de "pecado" sendo, normalmente, bastante hedonistas. O dever do ser humano é apenas manter-se agradável aos olhos da divindade. Representado pela deusa egípcia do amor e da maternidade.

Æon de Osíris

Surgida durante a Idade Clássica e tendo sua maior força durante a Idade Média. Apresenta uma predominância das religiões patrifocais, normalmente monoteístas. A adoração ao divino é sempre recompensada em uma vida além-túmulo ou em futuras encarnações. As divindades costumam ser masculinas, apartadas do sentimentos humanos. O ser humano recebe como missão o auto-sacrifício e a submissão completa à divindade. As religiões osirianas são, geralmente, muito dualistas (bem/mal) e bastante focadas no conceito de "pecado" e voltadas para a moral e para a idéia de morte. Representado pelo deus egípcio da morte e da reencarnação.

Æon de Hórus

Tendo iniciado-se no princípio do Séc. XX, é a Era atual. Estando em seus primórdios apresenta poucos exemplos da religiosidade. A religião horusiana, entretanto, apresenta como características o repúdio ao auto-sacrifício e à submissão. Não possui divindades dominadoras e tem como foco o próprio Ser Humano, que busca alçar-se à sua plenitude espiritual por mérito próprio, sem depender de auxílio externo. Representado pela divindade egípcia Horus, deus solar dual, ao mesmo tempo criança (Harpocrates) e adulto (Ra-Hoor-Kuit).

É importante notar que as Eras postuladas por Thelema diferem, por exemplo, das Idades Históricas ou das Eras Astrológicas em um ponto fundamental: os Æons não são estanques. Ou seja, o iniciar de uma Era não significa o completo término das anteriores e sim sua perda de influência. Desta forma ainda se encontra o pensamento das Eras anteriores dentro das posteriores. Por exemplo, ainda se encontram religiões matrifocais (como a Wicca) e patrifocais (como o Cristianismo).



Datas Telêmicas

Data Evento

20 de março

Ano Novo

21 de março

Equinócio de Outono

8 a 10 de abril

Comemoração do Livro da Lei

21 de junho

Solstício de Inverno

12 de agosto

Primeira Noite do Profeta e Sua Noiva

21 de setembro

Equinócio de Primavera

12 de outubro

Nascimento de Crowley

1° de dezembro

Morte de Crowley

21 de dezembro

Solstício de Verão

Há também outras festividades telêmicas, de data não fixa, que são:

A Festa para a Vida:

Nascimento de uma criança

A Festa para o Fogo:

Maturidade de um rapaz

A Festa para a Água:

Maturidade de uma moça

A Festa para a Morte:

Falecimento

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